A má alimentação infantil

Publicado em 6 de novembro de 2007, terça-feira.

É fato conhecido e divulgado que muitas crianças de hoje consomem alimentos que não são nutritivos. Orientadas por adultos, crianças vêm processando na justiça algumas redes de fast foods, por fornecer sanduíches que supostamente não desenvolvem "hábitos", mas criam dependência ou viciam as pessoas.

Especialistas colocam no mesmo grupo como "dependência doentia", tanto o consumo de álcool, fumo e drogas, como o de sanduíches e refrigerantes. Essas "coisas saborosas" são maquinadas inteligentemente pela propaganda enganosa como "meios mais rápidos para se chegar à felicidade". Evidentemente, uma falsa felicidade, vendida em forma de produto que gratifica a oralidade. Promete preencher os vazios humanos com a satisfação gratificada na forma de gozo do paladar, que os antigos chamavam "gula", ou seja, um dos sete pecados capitais.

A comida industrializada também se torna um vício

Doa a quem doer: dependência por um produto é vício, é doença ou patologia, não é simples hábito. Podemos mudar hábitos, mas o vício é mais complicado, talvez impossível, uma vez que sabemos que ninguém se cura da narcodependência, do alcoolismo ou do tabaco. O vício esconde motivações não conscientes, que reaparecem em forma de imperativo categórico, além da auto-sustentação repetitiva.

A psicanálise se refere a "compulsão à repetição", ou seja, o sujeito diante dessas "coisas saborosas" trabalhadas pela propaganda, perde a sua condição de sujeito-que-escolhe, como querem os crentes no homem apenas determinado pela força racionalconsciente.

É por ser um "sujeito dividido" que se torna um objeto ou dependente do que elas representam. Por exemplo, conhecemos inúmeros casos de pessoas que sabem dos malefícios do cigarro, das drogas, de comer alimentos errados e em demasia,
mas não conseguem ser verdadeiramente "sujeito".

Qual o nosso papel na má alimentação infantil?

Na outra ponta, há quem sugira, em vez de processar os Fast Foods, porque não processar os pais, pois são eles que autorizaram ou se omitem quando os filhos se inclinam para as comidas industrializadas. É mais cômoda tal atitude do que tomar posição preventiva à saúde e à compulsão alimentar advinda desses hábitos.

Claro que é exagero processar as tanto as lanchonetes como os pais pela sua falta de educação alimentar. Em vez de pensar que só com a lei, a polícia, a justiça, o governo, enfim, uma medida repressiva qualquer, que tal tentarmos mudar nosso modo de pensar? Em vez de culpar os Fast Foods que tal os pais assumirem sua responsabilidade de melhor orientar os filhos, desde pequenos, quanto ao que comer? Que tal melhorar nossa educação alimentar?

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