Cuidados na gestação gemelar

30 de julho de 2009

Como será nascer com uma cópia idêntica a si mesmo, mesmo que aos poucos ela vá se modificando porque essas pessoas aparentemente iguais e fruto da mesma gestação reagem de forma diferente diante dos estímulos recebidos e desenvolvem personalidades distintas?

Como se sentirão os gêmeos dizigóticos, aqueles gerados por dois óvulos e dois espermatozóides, portanto com carga genética distinta, que não são necessariamente parecidos, mas que estiveram juntos desde o útero materno? Gêmeos sempre despertam curiosidade, especialmente os univitelinos que são monozigóticos, isto é, formados a partir da divisão de um único óvulo fecundado por um só espermatozóide. A gestação gemelar tem características particulares e implica seguimento mais cuidadoso por parte do médico e da própria gestante. Dificilmente atinge as quarenta semanas previstas porque a capacidade de distensão do útero vai até certo ponto e a maioria dos partos é feita por via alta, ou seja, por cesariana.


Gêmeos idênticos e não idênticos

Em dois terços das gestações gemelares, os gêmeos são bivitelinos, portanto não são idênticos e em um terço são univitelinos, portanto idênticos. Os gêmeos não-idênticos são formados pela fecundação de dois óvulos por dois espermatozóides. Na verdade, podem ou não ter o mesmo sexo e equivalem a duas gestações que se desenvolvem ao mesmo tempo e no mesmo ambiente.

Já os univitelinos ou idênticos formam-se quando um único óvulo, fecundado por um só espermatozóide, sofre posteriormente uma divisão.

Logo, gêmeos idênticos têm necessariamente mesma carga genética e mesmo sexo. O que faz diferença nas gestações gemelares é o número de placentas. Quando são duas placentas, uma para cada feto, a gestação é menos complicada, mas será mais complicada se houver apenas uma placenta para os dois fetos. Gêmeos não-idênticos obrigatoriamente têm duas placentas. Entretanto, somente de 10% a 15% dos gêmeos idênticos têm placentas separadas. Quando existem gêmeos não-idênticos numa família, a chance de acontecer um novo caso é dez vezes maior do que em famílias sem história de gestações gemelares. Para gêmeos não-idênticos, parece que a influência maior é exercida pelo lado materno; já para os idênticos, não se observa a mesma relação.

Diagnóstico: são gêmeos

Existe o conceito de que o nível da gonadotrofina coriônica é mais elevado na gestação gemelar e que a gestante têm enjôos mais intensos. Se isso é verdadeiro em alguns casos, não o é em muitos outros. Por isso, o diagnóstico definitivo depende do exame ultra-sonográfico. O ideal é que seja feito no início da gravidez, nos primeiros três meses, quando se consegue definir, no caso dos gêmeos idênticos, se cada um terá sua própria placenta, o que facilitará muito o acompanhamento posterior da gestação. Já a partir de cinco ou seis semanas, o ultra-som consegue detectar gêmeos não-idênticos porque existem duas bolsas e duas placentas separadas. Gêmeos idênticos, com uma placenta só, são diagnosticados mais tarde, com seis ou sete semanas e, mesmo assim, é arriscado cometer um erro de diagnóstico: imagina-se que se trata de uma gestação única e depois se descobre que são dois bebês.

Redação Bem de Saúde

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