Amigo oculto: o imaginário da criança

Publicado em 9 de julho de 2008, quarta-feira.

Imaginem um pai perguntando ao seu filho Pedro de três anos se foi ele quem mexeu em sua carteira. O menino rapidamente responde que não foi ele, mas seu amigo Cris. O pai que há algum tempo tem visto Pedro conversando com este amigo imaginário diz para Pedro falar ao seu amigo que este não deve mexer em sua carteira.

Não é raro vermos uma criança se relacionando com alguém irreal, que só ela sabe que está ali, fruto de sua fantasia. O amigo imaginário ocorre normalmente entre os três e os cinco anos de idade, numa fase em que predomina o pensamento mágico, mas nem todas as crianças possuem um amigo imaginário, pois sua criação dependerá das características de cada uma. É mais freqüente em crianças que tenham pouca convivência social, que não estão na escola ou que preferem brincar sozinhas.

O filme "Amigo Oculto", inicialmente, sugere uma menina, que traumatizada pela morte súbita de sua mãe, cria um amigo imaginário chamado Charlie para através dele comunicar seus sentimentos de raiva ao seu pai. Mais adiante, a trama adquire outro rumo. Pensando neste exemplo, podemos dizer que o amigo imaginário é um ser criado pela criança para poder comunicar coisas que não consegue dizer diretamente ao adulto.

Em algumas situações, é através dele que os pais conseguem se conectar com os sentimentos de seus filhos e ajudá-los. Selma Fraiberg em seu livro "Os Anos Mágicos" nos apresenta uma garotinha de dois anos e oito meses que tinha muito medo de ser devorada a noite, em seu quarto, por animais selvagens. Eis que, um belo dia, a menina aparece com um companheiro imaginário que ela chama de "Tigre Risonho". Nesta nova versão, criada pela menina, o tigre perdeu suas características perigosas, tornando-se assustado e obediente.

O amigo imaginário, neste caso, dá a criança uma espécie de domínio sobre aquilo que a deixava ansiosa e desamparada. É através da imaginação que ela vai conseguir uma solução para enfrentar seus temores, sem precisar ficar grudada em seus pais. Observa-se que os amigos imaginários desaparecem a medida que o medo esvanesce, porém nos casos em que a realidade reforça os perigos imaginários (criança vítima de maus tratos) por exemplo, esta terá maior dificuldade de superá-los.

Como os pais devem agir quando seu filho possui um amigo imaginário?

Em princípio, os pais não devem dar muita importância, pois espera-se que pouco a pouco ele desapareça, porém, é importante que o amigo imaginário não seja tratado como real pois, isto pode confundir a criança, impossibilitando que ela consiga discriminar o que é real e o que é fantasia. Cabe aos pais avaliarem o grau de interferência do amigo imaginário na vida de seu filho.

Se o amigo imaginário não desaparecer, se seu filho prefere ficar só ao invés de brincar com outras crianças, se tem uma vida limitada não demonstrando interesse em realizar atividades sociais, em enfrentar a sua própria realidade, há sinais de que algo não está bem. Busque a ajuda de um psicólogo.
Dra. Josiane Buratto

Dra. Josiane Buratto

A Dra. Josiane Buratto é graduada em Psicologia, com formação em Psicanálise e Pós graduada em Obesidade e Emagrecimento. Clique aqui para conhecer mais nosso(a) especialista.

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