Medicação OU Psicoterapia? Medicação E Psicoterapia

Publicado em 19 de outubro de 2009, segunda-feira.

Todas as pessoas encontram-se sujeitas a desenvolver algum problema de ordem mental e emocional. Dentre estes, temos a ansiedade, depressão, estresse, ou mesmo os mais severos, como a esquizofrenia. Todas essas condições podem ser diagnosticadas e tratadas adequadamente por profissionais de saúde mental, e muitos pacientes apresentam uma melhor qualidade de vida após o tratamento.

Os medicamentos usados para tratar os problemas de ordem psicológica ou psiquiátrica chamam-se psicofármacos. A cada dia novos produtos são testados e lançados no mercado, ampliando a variedade de opções de tratamento e ao mesmo tempo dificultando sua escolha, levando o profissional a uma busca contínua de conhecimentos para usar adequadamente as alternativas disponíveis.

Entre as doenças mentais que tiveram suas alternativas de tratamento aprimoradas, pode-se destacar, nas últimas duas décadas, a ansiedade e a depressão. Essa mudança se deve principalmente ao desenvolvimento de técnicas psicoterapêuticas mais eficazes e efetivas, e do progresso científico da psicofarmacologia.

Geralmente, as abordagens terapêuticas dos transtornos mentais encontram-se divididas em biológicas (medicação) e não-biológicas (psicoterapia). Porém, essa divisão é meramente didática, uma vez que todas as ações, comportamentos e cognições do ser humano acontecem dentro do cérebro e refletem atividades neurofisiológicas. Entende-se assim, que a psicoterapia atua no psiquismo, mas também sobre um substrato biológico ao modificar esses comportamentos e cognições.

A atuação dos medicamentos pode tornar a psicoterapia mais efetiva, pois podem reduzir a severidade dos sintomas e aumentar a adesão do paciente à intervenção psicoterápica. Por exemplo, se uma pessoa apresenta um quadro de depressão muito severo, pode ter dificuldades de comunicação com o terapeuta e até mesmo de se expor às habilidades sociais que são comprometidas nesses casos. A medicação correta auxiliará o paciente na redução dos sintomas, e assim responder à psicoterapia de maneira mais adequada.

Vale ressaltar assim, que a medicação tem o poder de oferecer alívio sintomático para o individuo, possibilitando uma melhor qualidade de vida social e profissional, além promover alternativas para lidar com seus problemas. Dessa forma, quando bem indicada é consenso que a combinação de psicoterapia e terapia medicamentosa oferece resultados mais eficazes ao paciente do que quando comparada a qualquer uma dessas modalidades isoladamente.

O tempo de duração da terapia medicamentosa varia entre os indivíduos e depende do tipo de transtorno. Pessoas deprimidas ou ansiosas podem necessitar de medicamentos durante apenas alguns meses, enquanto a esquizofrenia ou o transtorno bipolar requer que o paciente seja submetido a essa terapêutica por muito mais tempo, às vezes até indefinidamente.

Como qualquer outro medicamento, os psicofármacos não produzem o mesmo efeito para todas as pessoas. Um determinado tipo e dosagem de medicamento pode ser eficaz para uma pessoa, mas não ser o mais correto para outra. Alguns pacientes podem ter efeitos colaterais, enquanto outros não apresentam queixa alguma. Alguns dos fatores que podem interferir no efeito do medicamento são: idade, sexo, aspectos corporais e químicos, doenças físicas, uso de outros medicamentos, tipo de dieta, e tabagismo.

Os tipos mais comuns de psicofármacos são:
- Antidepressivos: Os antidepressivos são drogas que aumentam o tônus psíquico melhorando o humor e, conseqüentemente, melhorando a psicomotricidade de maneira global. Esses medicamentos são prescritos com maior freqüência para pessoas com sintomas severos de depressão, embora também sejam utilizados por quem os apresenta de forma moderada.

- Ansiolíticos: são drogas capazes de atuar sobre a ansiedade e a tensão. Estas drogas foram chamadas de tranqüilizantes, por terem a capacidade de acalmar as pessoas tensas e ansiosas. Eles incluem os benzodiazepínicos, que trazem o alívio dos sintomas por apenas um curto período de tempo. Sendo assim, esses medicamentos podem causar dependência, e por isso devem ser prescritos e utilizados com cautela.

- Antipsicóticos: pessoas com transtornos psicóticos ficam "fora da realidade"; apresentam alucinações visuais e auditivas, ou acreditam que alguém pode escutar seus pensamentos. São úteis nesses transtornos, controlando os sintomas no paciente.

- Estabilizadores do humor: compreendem as drogas utilizadas para a manutenção da estabilidade do humor, não sendo essencialmente antidepressivas nem sedativas. A principal indicação para estabilizadores do humor são o transtorno bipolar e os episódios de mania (euforia) ou de hipomania.

As estratégias de intervenção terapêutica devem ser definidas pelos profissionais de saúde mental - médico psiquiatra e psicólogo, cada um dentro de sua área de atuação, devendo existir uma boa comunicação entre as experiências profissionais de cada um.

Deve-se ressaltar que somente o médico pode prescrever medicamentos, estando assim o paciente sujeito a uma avaliação psiquiátrica quando necessário.
Dra. Josiane Buratto

Dra. Josiane Buratto

A Dra. Josiane Buratto é graduada em Psicologia, com formação em Psicanálise e Pós graduada em Obesidade e Emagrecimento. Clique aqui para conhecer mais nosso(a) especialista.

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